
Foucault nasceu em 1926 e morreu em 1984, vítima de complicações provocadas pelo HIV/aids. Seu trabalho desenvolveu-se dentro do chamado pós-estruturalismo, corrente que defende a inexistência de verdades absolutas e considera a linguagem como instrumento que cria a realidade.
Palavras e poder
Desde o início, o pensamento de Foucault voltou-se para a linguagem e sua capacidade de colocar ordem no mundo. Mais ainda, as palavras são capazes de estabelecer relações de poder.Para Foucault, o poder não está localizado em instituições estanques como os Estados ou em pessoas específicas como os governantes. O poder, ao contrário, dissolve-se na teia social e nas relações – qualquer uma delas – que as pessoas estabelecem entre si. Por isso, é impossível pensar um sujeito sem poder. Também é impossível aceitar a idéia marxista do proletariado tomando o poder da burguesia – afinal, o poder está em todo o lugar. Nessa perspectiva, o poder é uma relação de forças que está em todas as partes, atravessando todas as pessoas. Para Foucault, o poder não somente reprime, mas também produz efeitos de verdade e saber, constituindo verdades, práticas e subjetividades. As palavras, no caso, servem para criar discursos que justificam a prática do poder e a dominação.
Parece complicado, mas não é. Pense no que acontece quando você fica doente. Quem é a autoridade capaz de falar sobre seu estado de saúde? O médico. Por quê? Porque socialmente há um discurso que legitima a autoridade médica. Além disso, esse discurso produz um "efeito de verdade", ou seja, é aceito como mais verdadeiro, face outras possibilidades de interpretação (uma benzedeira, um pajé ou uma anciã teriam outras visões sobre o processo saúde-doença). Mais ainda, o discurso médico determina a ação, já que o tratamento será seguido de acordo com as palavras do médico. Por esse exemplo, podemos pensar: mas isso não é bom? Afinal, o saber científico não é um avanço na civilização, que cura doenças e acaba com o sofrimento de milhões de pessoas? Em parte, sim. No entanto, Foucault revela que a ciência é, ela mesma, um discurso (palavras) que gera uma verdade sobre as coisas. Mas é somente uma verdade possível.
Ora, percebemos portanto como o discurso constrói realidades e legitima certas práticas. A homossexualidade no discurso médico, até pouco tempo, também era doença e podia ser tratada. E no discurso jurídico continua sendo crime passível de pena de morte (se eles soubessem o que estão perdendo iriam querer morrer disso !rs) em nove países do mundo. Esses exemplos tornam nítidas as relações entre palavras e poder, discurso e verdade, explicadas por Foucault.
Genealogia e homossexualidade
Para chegar a essas conclusões, Foucault percorreu um longo caminho, realizando pesquisas que

Em História da Loucura, ele mostra como os "loucos" são excluídos e confinados porque não se encaixam no processo produtivo. A "verdade" do discurso psiquiátrico serviu para isolá-los. Em Vigiar e punir, Foucault expõe como a prisão e o sistema disciplinar nas escolas serve para tornar os corpos dóceis (gente, adorei esse negócio de tornar corpos dóceis !), bem integrados socialmente e assujeitados ao poder dominante.
Mas é em História da sexualidade, obra que deixou incompleta, que Foucault mostra como é possível não se sujeitar aos poderes estabelecidos e legitimados pelos discursos dominantes. Nesse trabalho, Foucault defende que quanto mais falamos sobre sexo, mais o reprimimos. Isso porque criamos esquemas que julgam e comparam as práticas sexuais.
No entanto, a homossexualidade pode ser uma forma da pessoa se afirmar fora do discurso dominante. Em entrevista para a revista gay francesa Gai Pied, em 1981, Foucault diz: "É preciso desconfiar da tendência de levar a questão da homossexualidade para o problema 'Quem sou eu? Qual o segredo do meu desejo?' Quem sabe, seria melhor perguntar: 'Quais relações podem ser estabelecidas, inventadas, multiplicadas, moduladas através da homossexualidade?'. O problema não é descobrir em si a verdade sobre seu sexo, mas, para além disso, usar de sua sexualidade para chegar a uma multiplicidade de relações. E isso, sem dúvida, é a razão pela qual a homossexualidade não é uma forma de desejo, mas algo de desejável. Temos que nos esforçar em nos tornar homossexuais e não nos obstinarmos em reconhecer que o somos. Isso para onde caminha os desenvolvimentos do problema da homossexualidade é o problema da amizade".

continua.....
7 comentários:
Cara nuiito massa isso aii sobre o que foucalt descreve!
concordo plenamente com ele
\o/
www.fotolog.com/r0m3r0
Os argumentos acima dissertados cumprem o papel de colocar Foucault como o filósofo do século, dado, entre outros fatores, da pluralidade intelectual do autor.
Amo Michel Foucault, farei meu Mestrado em Estudos Culturais. Se permitires, gostaria de levar, com os devidos créditos, é claro, esse post para um dos meus blogs. Obrigada. Tânia
Permites que eu leve o post? Vou colocá-lo nos Estudos Culturais em Educação http://wwwestudosculturaisemeducacao.blogspot.com (não tem ponto após www).
Sabe como é, adoro escrever, só tenho oito blogs.rsrsrsrs
Tem um selinho para o seu blog lá no Palavras e Imagens (www.marquesiano.blogspot.com): uma homenagem ao Dia do Blogueiro
Desejo que consigas atualizar mais frequentemente o seu blog, pois suas palavras são importantes para a construção de um mundo melhor.
Bj.
Olá!
Procurando material sobre homossexualidade, cheguei em seu blog e amei ler Foucault.
Posso usar como fonte de pesquisa para a minha monografia este espaço?
Obrigada.
Débora, é claro que pode ! Fico super lisonjeado e feliz de saber que este mero passatempo meu contribui de forma tão grandiosa pra você ! Sucesso na monografia !
olá tenho 15 anos e estava procurando material sobre homossexualidade,para um debate na aula d filosofia,e isso me ajudou muito....muito obrigado !!!!
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