quinta-feira, 9 de abril de 2009

Se a barriga é tanquinho...

Galera, super feriadão chegando, muita balada por aí, descanso pra quem gosta e precisa, whatever, feriadão de páscoa..... segunda-feira todo mundo na academia pra queimar os exageros ao chocolate! E por falar em academia, encontrei mais um texto "mara", super atual e que nos faz refletir sobre nossas metas e condutas no meio gls ou não! Estou falando do bendito corpo sarado que tantos de nós, gays ou não, buscamos com tanto afinco....
Mas..... será que nessa procura desenfreada sobra lugar para o cérebro e para o coração??? Vamos pensar nisso??

Os anos 2000 revelam o novo ponto de obsessão da anatomia do homem
: o tanquinho

por Valmir Costa (Mundo +)

Em 1908 a revista humorística Careta fazia crítica à nova vaidade masculina. Chamava o homem vaidoso de “representante desse sexo que se diz barbado e vive a depilar-se agora”. Cem anos depois, este homem raspa não só a barba, mas outras partes do corpo como peito, abdômen e, quiçá, as pernas. Tudo para exibir o que os pelos escondiam: os músculos. É exatamente este modelo representado pelos anos 2000 para a estética corporal masculina.

A revista Men’s Helth [Saúde dos Homens], lançada nos Estados Unidos em 1986, é a maior representante desta nova estética máscula. Além dela, claro, as revistas gays, que usam os corpos torneados masculinos em suas páginas e capas. A Men’s Helth é veiculada em 48 países. A versão brasileira foi lançada em maio de 2006.

De lá para cá, pode-se perceber qual o local que a alma deste homem moderno deve ocupar: o corpo sarado. Todas as edições da Men’s Helth dão destaque na chamada para o abdômen. “Tchau Barriga”, já dizia a primeira edição. As demais dão destaque para os músculos, sobre emagrecimento, à boa forma, mudança de hábitos para um corpo ideal e para a perda do pneu, ou seja, mais uma vez a região da barriga. Não é à toa que os homens da capa da Men’s Helth ostentam uma barriga, ou melhor, um abdômen sarado, rasgado e cheio de gominhos.

Só muda o nome A barriga tanquinho se tornou o novo ponto de obsessão da anatomia do homem e está impregnada em todas as culturas. Só muda o nome. Como dois exemplos, este tanquinho é chamado nos Estados Unidos de six pack [pacote com seis] e na Itália addominali a tartaruga [abdômen de tartaruga]. Mas essa barriga tanquinho, que se tornou símbolo do masculino, é metonímica. Ela é a parte pelo todo, pois se pressupõe que, se a barriga é “tanquinho”, o homem é uma Brastemp.

Também é metafórica porque revela a virilidade inflada numa correlação fálica. O pênis é o único órgão externo que se modifica por conta própria. Logo, pressupõe-se nessa representação viril na musculatura como se belos corpos são dotados de belos pênis. Uma correlação erotizada do macho. Mas como o falo causa desconforto, é preciso demonstrá-lo de forma metafórica. Mas nem sempre o pênis cresce ao ponto de satisfazer o “dono” dele.

O que não ocorre com os músculos. Estes sim, se trabalhados com toda a maquinaria das academias, podem crescer. É um processo afirmativo e superlativo de ser homem ou mais do que os outros. Também ocorre no meio gay com aqueles que cultivam os músculos inflados. Receberam a alcunha de “barbie”. Tudo isso por conta do slogan da boneca: “o que você vai querer ser quando crescer? Barbie!”. Enfim, o corpo marombado, mas a alma de boneca.

Do armário para academia No entanto, tal modelo viril impera no meio gay, muitas vezes estimulado por anabolizantes. No entanto, os anabolizantes incham o corpo e encobrem as dobraduras dos gominhos abdominais. É necessário murchar o corpo para que esta região possa vir à tona. O final da primeira década dos anos 2000 faz surgir uma nova espécie: a do corpo definido, rasgado, sarado. O estilo “barbie” está fadado ao démodé como prenúncio dos próximos anos. Chaga a hora de dizer “adeus, barbie”, e ver emergir uma outra estética corporal.

Mas esse culto à imagem máscula do corpo sempre existiu. No final da década de 60 aos anos 70, o modelo viril era outro. Os bigodões e os pêlos corporais ditavam tal estética, também de forma ambivalente na relação da sexualidade e satirizada na música Macho Man, do Village People. Naquela época, como agora, há um constante apelo masculino de uma nova identidade.

Ele procura um lugar que o comporte depois dos movimentos feminista e gay a partir dos anos 60. Hoje a mulher saiu da cozinha, o gay do armário, e se juntaram aos homens nas academias de musculação. Todos habitam o local da “malhação”, que tem início no final dos anos 80 e perpetua-se até hoje. É a época do corpo torneado à máquina. Alguns teóricos classificam tal comportamento como o pós-humano.

É o novo estatuto do corpo, que extrapola o orgânico através do uso da maquinaria, e que supervaloriza a matéria orgânica. É a era do materialismo, no qual o corpo é mais valorizado do que a mente. Esta é uma forma diferenciada da arquitetura do modelo do homem grego. Toda parte do corpo se voltava para a mente do homem racional proposto por Platão. Mas essa musculatura estava sempre associada ao poder, representado pelo pênis como o “algo mais” se comparado à mulher castrada.

Falocentrismo deslocado – Contudo, este pênis grego era decoroso, sublime e pequeno. E deveria ter a proporção áurea entre a cabeça (razão) e o resto do corpo. Até a concepção renascentista de David de Michelangelo adotava tal modelo. Isto é, a consciência, pois ela é a função de um organismo, não de um órgão. A consciência também não é função única do cérebro. Porém, essa consciência se deslocou e se alojou no abdômen, no centro do corpo masculino. Ficou mais próximo ao pênis e mais longe do cérebro. É um falocentrismo deslocado e circunscrito, pois Narciso acha feio o que não é “tanquinho”.

No meio disso, a indústria cultural lança o termo metrossexual para o homem moderno com estilo estético arrojado. Atitudes antes atribuídas às mulheres ou a “homens suspeitos”. O editorial da Men’s Helth da edição de março de 2008 disse: “Você, leitor, já sabe que a “Men’s Helth” é uma revista que funciona, que é para ser usada mesmo, manipulada, carregada na mochila, da casa para a academia, da banca para o café na padaria, para o parque... O problema é que nossos amigos folheiam a Men’s, mas não a lêem a fundo”. Quem seriam estes “amigos”? Os machos? E quem lê a revista são os “suspeitos”? Ou são os gays? Sabe-se lá!

O que se sabe é que há um estranhamento, por parte dos homens, na linguagem adotada pela revista, que segue o estilo da revista Nova. Como exemplo, os verbos imperativos: “Perca a barriga já!”, “Troque gorduras por músculos”, “Ganhe potência no sexo”, “Ganhe músculos na boa”, “Aumente os músculos agora!”, “Fique forte para o sexo – ganhe vigor, flexibilidade e força nos músculos que são mais exigidos na hora H. Ela vai sentir a diferença”. Funde-se e confunde-se homem e pênis numa coisa só, representado apenas pelos músculos. É como se os músculos fossem a principal ferramenta na “hora H”.

Esnobismo A virilidade vem da fala e dos procedimentos que homens têm em relação à mulher e do gay em relação a outro gay. O homem tem tanta autoestima que não se acanha em dar uma cantada numa bela mulher, ainda que ele seja muito feio. Se ela o esnoba, na consciência masculina, ela é uma vadia. Isso porque vai “dar” para qualquer outro e não para ele. É sempre ela a culpada. No caso feminino, a mulher toma para si a “culpa”. Será que sou feia? Tenho celulites e estrias? Estou gorda?

São neuroses que estamos acostumados a ver na revista Nova e que, supostamente, atrapalham o orgasmo. A insegurança dessa castração é representada no ponto G. Imaginário, é ele tratado como se fosse um “ponto de ônibus”, no qual a mulher embarca e chega aonde ela quiser. Já os gays sarados, com barriga tanquinho, parecem estar sempre fora de forma. Dizem que precisam malhar mais. Parecem carentes de elogios o tempo todo. Mas quando podem, desdenham a paquerada de um magrelo ou um gordinho barrigudo com “cara de nojo de nós”, ou seja, o famoso carão.

Sem contar em alguns muxoxos como quem diz “vê se te enxerga!”. Já os franzinos e os gorduchinhos idolatram esta imagem malhada como ninguém. Outros, por conseguinte, preferem fazer o pacto da cegueira mútua. Entreolham-se, mas um não vê outro. Os músculos ou a ausência deles encobrem qualquer campo de visão. Mas o que estes músculos realmente encobrem são as inseguranças do masculino diante da virilidade atribuída antes ao tamanho do pênis.

Mas os homens, sejam gays ou héteros, sempre se safaram desse “trauma” com a piadinha “melhor um pequeno brincalhão do que um grande bobão”, ou então, “tamanho não é documento”. Discurso adotado até por muitas mulheres e, quiçá, alguns gays, quando não têm algo melhor, ou maior, para o seu deleite. Então, já que piadinha alivia traumas, para os desprovidos de barriga tanquinho e os providos de uma baita pança uma pergunta: Do que adianta uma barriga tanquinho se a torneira é pequena?


Pesado hein?? e de que adianta um corpo maravilhoso, se da boca só sai merda, e na cabeça só tem vento?

vamos pensar?

forte abraço a todos e ótimo findi !

5 comentários:

Alexandre Lucas disse...

Nem fala nada!

Serginho Tavares disse...

de que adianta ter barriga tanquinho se o cérebro é uma ervilha?????

Klero disse...

O personal de um amigo falava que para ficar assim, era necessário muito tempo diário de malhação, o que significava pouco tempo para dedicar-se ao cérebro fora do trabalho... eu me valho dessa desculpa! hahaa

Paula disse...

Passo aqui hoje para fazer a propaganda da Campanha Homens de Bem 2009, essa campanha visa arrecadar dinheiro através do apoio dos blogueiros amigos, e seus leitores. A instituição que receberá o dinheiro é a Casa de Apoio Brenda Lee (www.brendalee.org.br). Semanalmente, é feita a prestação de contas, com o extrato do que já foi arrecadado.

Contamos com o seu apoio.

Mais informações:
http://mistermanclub.blogspot.com/search/label/Homens%20de%20Bem%20-%202009

Obrigada =)

Tânia Marques disse...

Adorei o teu blog. Tanto a tua inteligência e perspicácia ao abordar determinados assuntos, quanto às fotos maravilhosas. Confesso que não estou nem aí para homens sarados, bombados, mas creio que os teus post que falam sobre nutrição são bastante educativos. Essas fotos são muito show, cada gato lindo, são de dar água na boca. Admirar não dói nada, né?! Beijos